Em Castro Laboreiro, no concelho de Melgaço, a prática da transumância continua a sobreviver através de poucas famílias, entre as quais se destacam Isalina e a sua filha Leonor.
Protagonistas de uma reportagem da TVI/ CNN Portugal, dedicada a este modo de vida tradicional em risco de desaparecer, Isalina é apresentada como uma das últimas transumantes da região, mantendo um quotidiano profundamente ligado às deslocações sazonais entre as chamadas inverneiras e brandas.
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Este sistema de migração interna, que durante séculos estruturou a vida na serra, continua a ser praticado, ainda que cada vez com menos pessoas a aderir e num contexto de forte transformação social e económica.
Consegue perceber-se a dureza desta rotina, marcada por mudanças regulares de habitação ao longo do ano, acompanhando os ciclos da natureza e a necessidade de gerir os recursos disponíveis para a criação de gado. Apesar das condições exigentes, estas deslocações continuam a ser feitas por algumas famílias que insistem em preservar um modelo de vida profundamente enraizado na identidade local.
Isalina e Leonor mostram que a transumância já não é apenas uma questão de sobrevivência económica, mas é também uma forma de ligação ao território e de preservação cultural. A continuidade desta prática surge, assim, como uma escolha consciente de manter viva uma tradição que foi central para várias gerações na região de Melgaço.
Fala-se no impacto do despovoamento das zonas rurais e do envelhecimento da população, fatores que têm contribuído para o desaparecimento gradual destas práticas ancestrais. A transumância, outrora comum em várias zonas do país, resiste agora em poucos núcleos familiares, tornando figuras como Isalina símbolos de uma memória viva em risco de extinção.
Nota-se o valor cultural e simbólico deste modo de vida, que representa não apenas uma forma de organização económica do passado, mas também um património imaterial ligado à relação entre o homem, os animais e a montanha.



