“Estado tem uma palavra a dizer no negócio entre a Galp e Moeve”

A indústria química portuguesa tem vindo a crescer a uma taxa média de 5%, tendência que, segundo Luís Gomes, vai manter-se em 2026. Gera um volume de negócios de 17 mil milhões e 4 mil milhões de exportações, o que representa 15% dos bens exportados e investe mil milhões ao ano.

Luís Gomes, Presidente da APQuímica, Associação Portuguesa da Química, Petroquímica e Refinação, diz que, para já, com base naquilo que é público, não prevê impactos para o sector do negócio da Galp com a Moeve, a antiga Cepsa, em entrevista ao programa Conversa Capital – Antena 1/Jornal de Negócios.

Se o negócio entre a Galp e a espanhola Moeve se concretizar poderá levar a uma fusão de ativos de retalho (postos de combustíveis) e indústria (refinarias) com cerca de 3.500 estações de serviço e três refinarias em dois países, com uma capacidade total de processamento na ordem dos 700 mil barris de petróleo por dia.

“Nada do que sabemos do negócio põe em causa interesses estratégicos de Portugal”, mas o “Estado tem uma palavra a dizer”, diz.

Explica que em termos gerais a APQuímica não se pronuncia sobre os negócios dos seus associados, como é o caso da Galp, mas lembra que o Estado, com os seus 8% terá uma palavra a dizer. Ainda assim refere que nada do que se sabe até ao momento põe em causa os interesses estratégicos nacionais.

Luís Gomes lembra no entanto que o que há é uma intenção e que é preciso esperar pelo desenvolvimento do negócio e o seu formato final.

No que se refere aos trabalhadores, Luís Gomes diz que ao nível da refinaria não vê que haja problemas. Acrescenta que em termos de mão de obra, o sector tem falta de trabalhadores especializados e teria capacidade para absorver cerca de 1.000 trabalhadores diretos.

Nesta entrevista, o presidente da APQuímica aplaude também o acordo da União Europeia com o Mercosul que se traduz numa ajuda à expansão do negócio, mas lembra que “a indústria portuguesa não tem medo da concorrência”.  O presidente da APQuímica aplaude ainda o acordo com a Índia, é diz que é contra as tarifas impostas pelos EUA.

Na entrevista, Luís Gomes realça que as empresas do setor são competitivas à escala global, exportam para 180 países, por isso, os acordos assinados entre a União Europeia com o Mercosul e com a Índia abrem oportunidades para desenvolverem os seus negócios.

Por outro lado diz que a atual política tarifária da administração Trump cria grande instabilidade e falta de previsibilidade.

Apesar de ser contra as tarifas aduaneiras impostas pelos EUA e sobretudo a sua imprevisibilidade, o sector tem na América do Norte o seu segundo mercado de exportação, uma situação que apesar da política errática de Trump deverá manter-se.

O sector tem vindo a crescer a uma taxa média de 5%, tendência que, segundo Luís Gomes, vai manter-se em 2026. Gera um volume de negócios de 17 mil milhões e 4 mil milhões de exportações, o que representa 15% dos bens exportados e investe mil milhões ao ano, revela.

Luís Gomes admite que os custos de contexto, sobretudo ao nível da energia num sector com indústrias fortemente intensivas no consumo de eletricidade, são um problema, mas pior do que isso é o facto de, a este nível, não concorrerem em pé de igualdade com as indústrias europeias.

Mais do que baixar o preço da eletricidade, é preciso nivelar os preços na União Europeia, situação que o Governo já defendeu em Bruxelas, salientou.

Por fim, e no contexto do apoio à criação de um ambiente económico favorável ao desenvolvimento das empresas defende o fim da derrama estadual.